Criadores de conteúdo redefinem o marketing imobiliário em 2026, tornando audiência e comunidade ativos centrais para vender imóveis.
“Conteúdo é o novo inglês”, afirma Fabio Duarte, CEO da Community Creators Academy, ao defender que a fluência em comunicação digital deixou de ser diferencial para se tornar pré-requisito competitivo.
O mercado imobiliário, historicamente ancorado em relacionamento e localização, passa por uma inflexão silenciosa — e acelerada. No centro dessa mudança está uma nova figura: o criador de conteúdo. Mais do que um complemento de marketing, produzir conteúdo se tornou, segundo especialistas, uma habilidade central para vender, posicionar e até precificar imóveis.
“Conteúdo é o novo inglês”, afirma Fabio Duarte, CEO da Community Creators Academy, ao defender que a fluência em comunicação digital deixou de ser diferencial para se tornar pré-requisito competitivo. “Se antes você precisava falar um idioma para abrir portas, hoje você precisa ser fluente em conteúdo para se conectar com as pessoas e gerar negócios.”
Duarte foi um dos palestrantes da Convenção Loft/ Portas, realizada nos dias 15 e 16 de abril, em São Paulo.
A Nova era do mercado imobiliário
Conteúdo como idioma: Produzir conteúdo digital tornou-se a habilidade básica para gerar confiança.
Comunidade > leads: Construir audiência própria reduz o custo de aquisição (CAC) e fideliza clientes.
De SEO para GEO: Otimização agora é feita para motores generativos (IA) e não apenas para buscas tradicionais.
Social commerce: A venda direta via vídeos e lives (estilo chinês) começa a ganhar escala no Brasil.
A fala sintetiza uma transformação estrutural. O avanço da chamada creator economy — ou economia dos criadores — já mobiliza milhões de pessoas e deve movimentar trilhões de dólares nos próximos anos. No Brasil, onde o número de criadores supera com folga o de corretores de imóveis, a pressão por adaptação é ainda maior.
“Temos cerca de 600 mil corretores no país, mas mais de 20 milhões de criadores de conteúdo. É um mercado muito maior, e que influencia diretamente o comportamento de compra”, diz Duarte.
Do funil tradicional à comunidade
No modelo clássico, imobiliárias investem pesado em mídia paga para gerar leads, qualificá-los e, com sorte, converter uma pequena fração em vendas. Esse funil, no entanto, vem se tornando cada vez mais caro e menos eficiente.
A alternativa, segundo Duarte, está na construção de audiência e comunidade. “Ao invés de investir primeiro em produto e depois gastar para vender, você constrói uma comunidade, gera conexão com conteúdo e depois vende praticamente direto”, afirma. “Com comunidade, você reduz drasticamente o custo de aquisição e aumenta a confiança.”
A lógica já foi testada em outros setores. O próprio Duarte cita sua experiência anterior, ao criar uma empresa no segmento de dança que movimentou centenas de milhões de reais. “A gente não começou pelo produto. Começou pela comunidade, pela paixão das pessoas, usando conteúdo. Depois, vendíamos o que quiséssemos — cursos, eventos, roupas.”
O imóvel como produto de mídia
No mercado imobiliário, essa lógica abre espaço para uma mudança ainda mais radical: tratar o imóvel não apenas como um ativo físico, mas como um produto de mídia.
“Por que alguém conseguiu aumentar o preço do morango em até 30% criando uma narrativa — o ‘morango do amor’ — e o setor imobiliário não cria o ‘apartamento dos sonhos’, com storytelling e posicionamento?”, provoca Duarte. “Conteúdo não é só divulgação. Ele agrega valor.”
Nesse cenário, corretores deixam de ser apenas intermediários e passam a atuar como creators — produtores de conteúdo capazes de educar, entreter e influenciar decisões.
Geração Z, IA e compra instantânea
A mudança também é impulsionada por uma nova geração de consumidores. Segundo Duarte, a geração Z já representa uma fatia relevante dos compradores e locatários — e se comporta de forma completamente diferente.
“Eles não entram mais em site, não esperam contato, não seguem etapas longas. Estão assistindo a um vídeo, clicam e já, em breve, vão querer agendar uma visita ou até comprar”, afirma.
O avanço da inteligência artificial acelera esse processo. Plataformas passam a integrar busca, recomendação e transação em um único fluxo, muitas vezes mediado por algoritmos.
“Estamos saindo do SEO para o GEO — otimização para motores generativos. Você não prepara mais seu site só para o Google, mas para a IA responder por você”, diz.
Social commerce chega ao imobiliário
A convergência entre conteúdo e venda direta já é realidade em outros mercados e começa a ganhar escala no setor imobiliário, especialmente na Ásia. Na China, plataformas de live commerce vendem imóveis em transmissões ao vivo, com resultados expressivos.
“O que muita gente ainda vê como futuro já é presente. Já existem casos de dezenas de apartamentos vendidos em segundos durante uma live para 3,8 milhões de pessoas”, afirma Duarte.
Para ele, a diferença entre práticas tradicionais — como panfletagem — e o conteúdo digital é apenas a escala. “Um corretor na rua aborda poucas pessoas. Um vídeo pode impactar milhões em segundos.”
Atenção como ativo escasso
No fundo, a disputa central deixa de ser apenas por imóveis ou clientes — e passa a ser por atenção. Em um ambiente saturado de informação, onde cada pessoa é impactada por milhares de estímulos diários, destacar-se exige consistência e estratégia.
“A atenção é o novo petróleo”, resume Duarte. “Quem domina conteúdo, domina distribuição. E quem domina distribuição, domina vendas.”
De opção a necessidade
Se antes produzir conteúdo era visto com desconfiança — ou até preconceito —, hoje a percepção muda rapidamente. Para Duarte, a resistência segue um padrão histórico: novas tecnologias são subestimadas até se tornarem inevitáveis.
“Não é mais uma opção. É uma necessidade de mercado”, afirma. “Existem dois tipos de profissionais agora: os que produzem conteúdo e os que vão precisar produzir.”
No mercado imobiliário, isso significa uma mudança de identidade. O corretor tradicional dá lugar a um novo perfil: híbrido, comunicador, influenciador e vendedor ao mesmo tempo. E, ao que tudo indica, quem não fizer essa transição tende a perder espaço — não apenas no presente, mas também nas próximas gerações de compradores. “As redes sociais morreram. Bem-vindos à era das redes de consumo.”
Fonte: https://portas.com.br/
Acesse nossas redes sociais:
Instagram - @paulorobertoleardi
Facebook - Paulo Roberto Leardi
Cadastre-se e receba novos imóveis direto na sua caixa de e-mail